Medicina e Mentoria baseadas na escuta
Sou médica, mas o meu foco não é prescrever. O meu trabalho é ajudar pessoas a integrar, com profundidade e autenticidade, as recomendações médicas nas suas vidas reais — com os seus ritmos, dores, valores e sonhos. Acredito que só com escuta profunda, consciência emocional e sentido pessoal é possível mudar de forma sustentável. Por isso, pratico aquilo a que chamo Medicina Baseada na Escuta — um acompanhamento clínico humanizado e realista, que se preocupa não apenas com a solução mas com a raíz, onde ajudamos o corpo a curar ao cuidar também da história que ele carrega.
Sobre mim
Sou médica. Mas com o tempo percebi que nunca fui apenas isso.
Comecei pela medicina convencional, onde aprendi a linguagem do corpo: a fisiologia, os sinais, os sintomas, a urgência do que é visível e mensurável. E durante muito tempo, isso bastou.
Mas à medida que fui crescendo como pessoa e como profissional, comecei a ouvir outras camadas da experiência humana. Camadas que raramente cabem numa consulta rápida: a história de vida, as emoções que ficam guardadas no corpo, os padrões invisíveis que se repetem, o que não se diz — mas pesa. O que não se explica — mas se sente.
Hoje, o meu trabalho vive precisamente nesse lugar: onde a ciência encontra o cuidado, e onde a escuta se torna uma ferramenta de transformação.
Encontro-me a concluir uma formação avançada em Psicoterapia Psicodinâmica Transpessoal, onde aprofundo a dimensão simbólica, relacional e espiritual da saúde. Acredito que curar não é apenas eliminar sintomas: é muitas vezes voltar a casa. Voltar ao essencial. Voltar a quem se é. E criar espaço interno para que a vida se reorganize com mais sentido e mais verdade.
Paralelamente, estou a realizar o Coach Practitioner Programme da TPC Leadership, uma formação que tem vindo a aprofundar algo que considero central no cuidado: a capacidade de acompanhar o outro com presença, clareza e responsabilidade, ajudando a criar movimento e mudança sustentável, sem impor caminhos, mas facilitando processos.
Tive também a oportunidade de participar no International Leadership Programme, no Quénia, promovido pela WYSE, onde aprofundei uma visão de liderança que me acompanha até hoje: liderança como presença, como escuta, como coragem (tanto no íntimo como nos sistemas).
Sou cofundadora da Associação Hemato Pa Bô, que atua na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe, acompanhando e formando profissionais de saúde em contextos frágeis, promovendo liderança, equidade e continuidade de cuidados. Esse trabalho ensinou-me algo fundamental: cuidar não é apenas tratar. Cuidar é sustentar. É caminhar ao lado. É criar rede. É dar dignidade.
E sou autora do livro The Boy Who Drew the Invisible: uma pequena história sobre um menino que ousa sonhar, mesmo quando tudo à volta parece impossível. Talvez porque, no fundo, acredito que a imaginação e o sentido são também formas de cura.
Entre a medicina, a psicologia, a filosofia e a escuta, o meu trabalho hoje é este:
acompanhar pessoas no momento exato em que sentem que precisam de voltar a si.
Voltar ao corpo. Voltar ao coração. Voltar à clareza.
Voltar como um todo. E com todas as suas dimensões.